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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Toxicodependência: os vínculos humanos como estratégia de sobriedade

   Esta semana assisti uma TED Talk muito interessante, ministrada pelo Johann Hari, sobre as raízes da toxicodependência. Sabemos muito sobre o circuito de recompensa e o papel da dopamina no reforço positivo das drogas, mas de fato:
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- O álcool, por exemplo, é uma substância com potencial de toxicodependência que está acessível a todos. Por que alguns desenvolvem a dependência e outros não? Isto também acontece com diversas outras coisas viciantes, como outras drogas, pornografia, jogos, smartphones...

  A questão central pode estar na capacidade de estabelecer vínculos e conexões humanas. O ser humano é um ser sociável por natureza e precisa se sentir integrado e inserido no seu ambiente. Quando isto não é possível, tendem a criar estes vínculos com substâncias ou coisas que lhes dêem a sensação de alívio e reforço positivo que precisam. 
   Esta necessidade de criar conexões são exploradas inclusive por algumas clínicas de tratamento da toxicodependência, onde a estratégia de sobriedade está muitas vezes associada à conversão a uma religião e estabelecimento de vínculo com Deus.
   O componente psicológico do vício deve ser considerado também na hora de definir políticas públicas de apoio ao toxicodependente. E neste aspecto, Portugal (país onde orgulhosamente realizei meu Mestrado e Doutorado), é pioneiro ao descriminalizar todas as drogas. Mas mais que isso: oportunizaram a verdadeira re-inserção dos usuários na sociedade e testemunharam todos os índices associados a isso melhorarem. 

   Mas cuidado! Apesar de parecermos a sociedade mais conectada dos últimos tempos, muitas vezes as conexões virtuais são fracas e baseadas em posts de uma vida de mera ficção. Os vínculos humanos fortes são relacionamentos profundos, com amigos que podem estar nas redes sociais ou não, mas que são capazes de socorrer você em um momento de crise. 

Conheça mais sobre esta nuance psicológica tão presente na nossa perspectiva social e que pode definir se um ser humano sucumbirá ou não ao vício. Vale a pena conferir estes 15 minutinhos!

É possível colocar legendas em português, clicando na rodinha de ferramentas. Depois, basta clicar onde diz: Subtitles English e escolher Português (Brasil).
  


E você? Como está a sua rede de amigos?


Já falamos sobre o potencial de abuso de álcool aqui no blog. Confira aqui um teste sobre como está o seu consumo de álcool.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A triste realidade da dependência ao álcool. Verifique se você está passando do ponto!


   A dependência de álcool é um grave problema de saúde pública. Apesar de ter um quadro clínico bem estabelecido, muitas vezes o diagnóstico é difícil. Sabe-se que, frequentemente, os primeiros contatos com o álcool acontecem no início da adolescência, em contextos onde o uso abusivo é glamoroso, encorajado pelos amigos e algumas vezes pela própria família. A detecção de casos iniciais é um desafio pois medidas educativas podem evitar repercussões individuais e desfechos sociais graves.

   No contexto universitário, o ambiente de integração com a turma e a pressão dos exames e provas também favorecem o consumo abusivo do álcool. Neste sentido, a farmacêutica Marina Pelicioli, no âmbito do seu trabalho de conclusão do Curso de Farmácia, orientada pela professora Cristiane Barelli, avaliou o padrão de consumo de bebidas alcoólicas entre universitários de cursos da área de saúde. A pesquisa contou com a participação de 619 alunos que responderam  entrevistas em questionário eletrônico enviado por e-mail a cada um dos estudantes sorteados. 
  O consumo de álcool foi avaliado pelo Teste de Identificação de Distúrbio de uso do Álcool (AUDIT), um questionário validado e reconhecido internacionalmente que você também pode responder pois ele está disponível no fim do post. Os resultados desta pesquisa demonstraram que 85% destes estudantes consomem álcool. A frequência de consumo variou de 2 a 4 vezes no mês (46,9%) a 1 vez por mês (40%). O padrão de consumo do álcool avaliado como de baixo risco foi 77,1%; mas 2,7% dos estudantes apresentaram um padrão de consumo considerado nocivo e de provável dependência, predominando a ingestão de fermentados (41,1%) e destilados (23,2%).

    O dado mais alarmante foi a prática do Beber Pesado Episódico (BPE), que foi constatado em mais da metade dos estudantes (51,6%). Este dado é bastante elevado comparado a outros estudos neste tipo de população, cuja média de ocorrência gira em torno dos 20% (maiores informações sobre estes outros estudos você encontra aqui, aqui,  aqui e aqui).


  Mas afinal, o que é BPE?

  O Beber Pesado Episódico (BPE) ocorre quando há o consumo de 5 doses ou mais de bebidas alcoólicas em uma única ocasião independente da frequência de consumo. Ou seja, o estudo demonstrou que 51,6% destes universitários não consomem álcool com grande frequência, mas, quando consomem, ocorre de forma exagerada. Ainda, foi verificado que as características que mais se associaram ao consumo de álcool foram ser solteiro, do sexo masculino e frequentar festas semanalmente.


Fonte: http://comidanarede.com.br/bebidas/consequencias-abuso-alcool/


   O trabalho da Marina foi premiado duas vezes, evidenciando a relevância desta discussão. Mas e você? Como está o seu consumo de álcool? Verifique se você pode ser considerado dependente de álcool segundo os critérios da 5º Versão do Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Americana de Psiquiatria:

Marque as alternativas vivenciadas em um período de 12 meses:

1. O álcool é consumido em maiores quantidades ou por um período maior do que o pretendido.
2. Desejo de diminuir ou interromper o uso da substância sem sucesso.
3. Muito tempo é gasto em atividades necessárias para obtenção da substância, na utilização ou na recuperação dos seus efeitos.
4. Fissura ou craving: um forte desejo ou urgência para usar o álcool.
5. Prejuízos importantes nas atividades ocupacionais, domésticas ou acadêmicas em virtude do uso da substância.
6. Permanência do uso apesar de ele provocar problemas nas relações pessoais.
7. Abandono de atividades sociais, ocupacionais ou recreativas para o uso de álcool.
8. Manter o uso apesar do risco associado.
9. Manter o uso apesar de ter um problema físico ou psicológico, sabidamente causado ou exacerbado pelo álcool.
10. Tolerância: necessidade de quantidades progressivamente maiores de álcool para adquirir os efeitos desejados ou acentuada redução do efeito com o uso continuado da mesma quantidade.
11. Abstinência: síndrome de abstinência característica ou consumo de álcool ou outra substância relacionada (como medicamento calmante) com a finalidade de aliviar ou evitar os efeitos da abstinência.

  A presença de 2 ou mais destes critérios em um período de 12 meses é suficiente para diagnosticar dependência do álcool. A classificação da gravidade é realizada da seguinte forma:
Dependência de álcool leve: 2 a 3 sintomas em um período de 12 meses
Dependência moderada: presença de 4 a 5 sintomas em um período de 12 meses
Dependência grave: presença de 6 ou mais sintomas em um período de 12 meses

  Agora o AUDIT - TESTE PARA IDENTIFICAÇÃO DE PROBLEMAS RELACIONADOS AO USO DE ÁLCOOL


Assinale o número corresponde a sua resposta e ao final, some todos os números assinalados.

1. Com que frequência você consome bebidas alcoólicas?
(0) Nunca [vá para as questões 9-10]
(1) Mensalmente ou menos
(2) De 2 a 4 vezes por mês
(3) De 2 a 3 vezes por semana
(4) 4 ou mais vezes por semana

2. Quantas doses alcoólicas você consome tipicamente ao beber?
(0) 0 ou 1
(1) 2 ou 3
(2) 4 ou 5
(3) 6 ou 7
(4) 8 ou mais

3. Com que frequência você consome cinco ou mais doses de uma vez?
(0) Nunca
(1) Menos do que uma vez ao mês
(2) Mensalmente
(3) Semanalmente
(4) Todos ou quase todas os dias


*Se a soma das questões 2 e 3 for 0, avance para as questões 9 e 10


4. Quantas vezes ao longo dos últimos 12 meses você achou que não conseguiria parar de beber uma vez tendo começado?
(0) Nunca
(1) Menos do que uma vez ao mês
(2) Mensalmente
(3) Semanalmente
(4) Todos ou quase todos os dias

5. Quantas vezes ao longo dos últimos 12 meses você, por causa do álcool, não conseguiu fazer o que era esperado de você?
(0) Nunca
(1) Menos do que uma vez ao mês
(2) Mensalmente
(3) Semanalmente
(4) Todos ou quase todos os dias

6. Quantas vezes ao longo dos últimos 12 meses você precisou beber pela manhã para poder se sentir bem ao longo do dia após ter bebido bastante no dia anterior?
(0) Nunca
(1) Menos do que uma vez ao mês
(2) Mensalmente
(3) Semanalmente
(4) Todos ou quase todos os dias

7. Quantas vezes ao longo dos últimos 12 meses você se sentiu culpado ou com remorso depois de ter bebido?
(0) Nunca
(1) Menos do que uma vez ao mês
(2) Mensalmente
(3) Semanalmente
(4) Todos ou quase todos os dias

8. Quantas vezes ao longo dos últimos 12 meses você foi incapaz de lembrar o que aconteceu devido à bebida?
(0) Nunca
(1) Menos do que uma vez ao mês
(2) Mensalmente
(3) Semanalmente
(4) Todos ou quase todos os dias

9. Você já causou ferimentos ou prejuízos a você mesmo ou a outra pessoa após ter bebido?
(0) Não
(2) Sim, mas não nos últimos 12 meses
(4) Sim, nos últimos 12 meses

10. Algum parente, amigo ou médico já se preocupou com o fato de você beber ou sugeriu que você parasse?
(0) Não
(2) Sim, mas não nos últimos 12 meses
(4) Sim, nos últimos 12 meses


  Some todos os números assinalados e interprete segundo o quadro abaixo:

Pontuação
Padrão de consumo de álcool/
Zona de risco
0 a 7 pontos
Uso de baixo risco ou zona de risco I
8 a 15 pontos
Uso de risco ou zona de risco II
16 a 19 pontos
Uso nocivo ou zona de risco III
20 ou mais pontos
Provável dependência ou zona de risco IV


   Caso estes testes tenham revelado que você tem problemas com álcool, procure ajuda! O primeiro passo (que não é simples) é reconhecer esse fato. Existem serviços públicos especializados nesta problemática, mas conforme demonstrado logo abaixo, o comprometimento individual e o apoio familiar são cruciais para o sucesso do tratamento.

Desafios no tratamento da dependência 



  As questões do abuso de álcool e outras drogas vêm sendo um grande desafio enfrentado mundialmente, tanto no âmbito da saúde quanto no social. Nesse sentindo, o surgimento dos Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e drogas (CAPS ad), foram um progresso para o cuidado em saúde mental dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil. Este é um serviço que funciona 24 h  e é voltado para o cuidado de pessoas que enfrentam esta problemática. Caracterizam-se como articuladores estratégicos para a formação de uma rede integral de saúde mental no país. Segundo informações do próprio link disponibilizado acima, oferecem atendimento à população, realizam o acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários. Os CAPS também atendem aos usuários em seus momentos de crise, podendo oferecer acolhimento noturno por um período curto de dias.

  A dependência de drogas lícitas e ilícitas é influenciada por uma variedade de fatores, sendo assim, compreende-se que essa condição não tem um tratamento único e adequado para todos os tipos de drogas, havendo necessidade de uma combinação coerente entre ambiente, intervenções e serviços que sejam específicos para cada necessidade. Dessa forma, a terapia farmacológica é uma das vertentes de tratamento adotadas nestes centros. 

  Considerando as dificuldades inerentes a este contexto, a acadêmica do curso de Farmácia, Nicole Fernandes de Lima, orientada pela Prof. Carla Gonçalves, avaliou o nível de conhecimento dos usuários atendidos no CAPS ad de Passo Fundo, RS, sobre sua terapia medicamentosa. Foram entrevistados 40 usuários atendidos nesse serviço, 100% deles em tratamento com medicamentos. Destes, 67,5% relataram manter uso regular de substancias psicoativas, evidenciando uma situação de risco. As substâncias psicoativas mais utilizada foram o álcool (82,5%) e o tabaco (45%). Em terceiro lugar aparece o crack (22,5%), seguido pela cocaína (10%) e o por último a maconha (7,5%). O abandono do tratamento foi encontrado em cerca de metade dos entrevistados e 75% não tem adesão ao tratamento. Quanto ao conhecimento sobre sua terapia, 85% apresentaram um conhecimento classificado entre "regular" e "bom".

   Sendo assim, foi possível perceber a dificuldade de o tratamento ser realmente efetivo e eficaz, pois apesar de os usuários terem um serviço especializado disponível, o acesso ao medicamento ser facilitado e haver orientação sobre a terapia medicamentosa associada às outras vertentes de terapia, percebe-se que o uso da substância continua, o tratamento não é realizado da maneira correta e o abandono do tratamento é frequente.
   
  Por isso, finalizo este post com a seguinte questão: de que forma poderíamos melhorar a efetividade e a eficácia do tratamento para dependência?

Colaboraram para este post: farmacêutica Marina Pelicioli e acadêmica de Farmácia Nicole Fernandes de Lima. 
  

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Designer Drugs: a toxicidade dos derivados piperazínicos

   A lógica das designer drugs é produzir pequenas diferenças na estrutura química de uma droga conhecida, fazendo com que ela tenha efeitos semelhantes mas que ainda não seja proibida, burlando a legislação. No Brasil, a legislação que define as substâncias proibidas e sujeitas a controle especial é a Portaria 344 da ANVISA. Um pouco sobre esta problemática é abordado nesta reportagem com as drogas metilona e 25i: 





    Então a legislação é mal feita?
  Não exatamente. O problema é que a legislação é atualizada periodicamente, mas até a invenção da droga, as primeiras apreensões (descoberta que ela existe) e a atualização da lista existe um "gap" que é frustrante para qualquer perito.

   Um grupo de designer drugs são as piperazinas. Nos últimos anos, o Marcelo Dutra Arbo se dedicou ao estudo dos mecanismos de toxicidade destas drogas nos diferentes possíveis alvos (fígado, coração e neurônios). Para isso, ele utilizou modelos celulares, realizando estudos in vitro. Através destas técnicas, o Marcelo verificou que o mecanismo de toxicidade de 4 representantes do grupo das piperazinas envolve desequilíbrios energéticos por ação nas mitocôndrias das células. Nos hepatócitos, esses efeitos resultam em stress oxidativo. Hoje é o dia da defesa da tese de doutorado do Marcelo na Universidade do Porto.  Então, convidei o Marcelo para uma entrevista exclusiva para o nosso blog falando um pouco sobre as piperazinas.

   O Marcelo é farmacêutico com habilitação em Análises Clínicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a partir de hoje, doutor em Ciências Farmacêuticas - Especialidade Toxicologia pela Universidade do Porto (Portugal). Tem experiência em toxicidade de produtos naturais usados como emagrecedores, trabalhou por 2 anos no Núcleo de Análise Laboratorial do Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul e atualmente trabalha com novas drogas de abuso sintéticas. Desenvolveu tese de doutorado com o tema avaliação da toxicidade de drogas de abuso derivadas da piperazina sob orientação da Prof. Dra. Helena Carmo, que foi desenvolvido no Laboratório de Toxicologia da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (Porto, Portugal), Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Porto, Portugal) e Leibniz Research Centre for Working Environment and Human Factors (Ifado, Dortmund, Alemanha). 


Paracelsus para Todos: O que são designer drugs e por que é tão difícil a sua fiscalização?
Marcelo - Designer drugs são drogas sintéticas e a fiscalização é difícil porque elas são produzidas a partir de uma outra droga, sintética ou não, porém proibida pela legislação. A partir dessa substância proibida, são feitas, por síntese química, algumas pequenas modificações na molécula, como adição ou substituição de algum grupamento molecular na estrutura química básica, onde se consegue criar um novo composto, porém com os mesmos efeitos, ou efeitos muito semelhantes, a droga anterior proibida. Esse novo composto, por ser novo e apesar de manter as características de droga de abuso, não esta previsto na legislação e dessa forma se consegue driblar a lei.

Paracelsus para Todos: O que são e como surgiram as piperazinas? Elas são drogas no Brasil? 
Marcelo - As piperazinas são derivadas de um vermífugo, que já foi muito utilizado em medicina humana e veterinária mas atualmente é mais utilizado em veterinária. O vermífugo não possui nenhum efeito sobre o sistema nervoso humano, porém os derivados utilizados como droga de abuso conseguem atingir o cérebro e causar efeitos estimulantes e alucinógenos. Elas foram descobertas a partir de novas substâncias que foram testadas como antidepressivos nos anos 70 e 80, mas devido à toxicidade e potencial para causar dependência as pesquisas foram interrompidas. No fim dos anos 90 as substâncias foram redescobertas e começaram a ser utilizadas como drogas de abuso. No Brasil, algumas destas substâncias são drogas proibidas (BZP, mCPP e TFMPP). Desde 2006 há relatos de apreensão de comprimidos pela Polícia Federal, vendidos supostamente como ecstasy, mas que na realidade contém derivados da piperazina. Isso acontece porque os efeitos relatados pelos usuários são muito semelhantes ao do ecstasy que, apesar de também ser uma droga de abuso, quimicamente é um composto muito diferente. Apesar de as piperazinas serem consideradas drogas de abuso e proibidas em muitos países, elas são muito utilizadas na em países da Europa como Grã-Bretanha e Holanda, e Nova Zelândia, onde até 2008 elas eram vendidas livremente.

Paracelsus para Todos: Quais os efeitos que as piperazinas provocam em seres humanos?
Marcelo - Os efeitos são muito semelhantes aos do ecstasy e incluem euforia, agitação, aumento do vigor, sensação de bem-estar. Entre os efeitos adversos náuseas e vômitos, taquicardia e aumento da pressão e convulsões.

Paracelsus para Todos: Quais os mecanismos pelos quais elas provocam estes efeitos?
Marcelo - De modo geral os derivados atuam no cérebro de 3 formas: aumentam a liberação de neurotransmissores (dopamina, noradrenalina e serotonina), inibem a recaptação desses neutransmissores e ligam-se a receptores dopaminérgicos e serotoninérgicos. O que é diferente é a afinidade de cada derivado, alguns, como a benzilpiperazina (BZP) atuam mais em receptores dopaminérgicos enquanto outros, como a trifluorometilfenilpiperazina (TFMPP) tem maior afinidade por receptores serotoninérgicos.

Paracelsus para Todos: Quais os futuros desafios para os estudos com piperazinas?
Marcelo - Ao meu ver, o futuro não só dos estudos com piperazinas, mas das drogas em geral, é avaliar os efeitos desses compostos em misturas, porque os usuários consomem normalmente essas substâncias associadas ao álcool e tabaco, quando não consomem mais de uma droga na mesma noite. Mesmo dentro das piperazinas, os comprimidos muitas vezes contém mais de um derivado, uma mistura muito comum é a BZP e TFMPP no mesmo comprimido ou cápsula. Isso é importante porque nesses casos a toxicidade das substâncias pode ser maior e efeitos não previstos quando se estudaram essas substâncias isoladamente podem ser observados.

O Marcelo e eu, no Salão da Stadshuset, onde é realizada a cerimônia do Prêmio Nobel, em Estocolmo. Como hoje ele defende o doutorado, escolhi uma foto inspiradora, mesmo não sendo a nossa melhor foto! :)


   Quem se interessar mais pelo tema, pode consultar os trabalhos científicos do Marcelo com as piperazinas nos seguintes links: 


Revisão bibliográfica sobre as piperazinas como drogas de abuso


Aspectos analíticos e biológicos das designer drugs


Mecanismos de toxicidade cardíaca mediada pelas piperazinas